Novidades

Micose na unha pode abrir portas para infecções mais graves!

Passar a vida sem uma micose nas unhas é algo raro de acontecer. Muitas pessoas convivem com as onicomicoses (infecções nas unhas, causadas por fungos) durante anos. Essas manchas brancas, amarelas ou até negras, não são tão inofensivas como parecem. Elas expõem o nosso corpo a outros microrganismos, que podem se aproveitar do ambiente “desprotegido” para penetrar no organismo e causar danos bem mais graves do que um efeito estético de unhas frágeis, tortas ou quebradiças.

O aspecto das unhas já pode sugerir a presença da micose, sendo que o exame laboratorial complementa a informação clínica. Para o fungo, existem dois exames laboratoriais básicos, que são o exame micológico direto e a cultura para fungos. O exame micológico direto fica pronto no mesmo dia, já a cultura pode demorar cerca de 15 a 30 dias. No exame micológico direto, é possível ver, através do microscópio, se existe realmente um fungo naquela unha. Já na cultura para fungos, é propiciado o crescimento do fungo para fazer a identificação do tipo específico de fungo.

Tais exames ajudam a direcionar o tratamento. Isso porque, apesar de ser muito comum, a micose nas unhas é muito difícil de ser tratada com sucesso. Normalmente, o tratamento, quando correto, tem uma efetividade de cura em torno de 50 a 60% dos pacientes. Se não houver o tratamento com a droga certa, a chance de cura cai ainda mais. Isto por que o organismo do paciente também é importante para que a cura seja completa e definitiva. O antifúngico que trata bem um tipo de onicomicose, pode não tratar tão bem outro tipo. Então é preciso fazer o diagnóstico para saber ao certo qual antifúngico usar.

Lém disso os medicamentos antifúngicos geralmente são hepatotóxicos, ou seja, podem causar lesões no fígado, além de serem muito caros. Por isso, é importante não se automedicar.  O tratamento pode ser realizado usando medicamentos orais (sistêmicos, de uso contínuo ou em pulsoterapia) e tópicos, aplicados no local.  

 

Como identificar e prevenir

A unha pode ficar esbranquiçada, amarelada, escura, grossa, frágil, ficar torta ou descamar.  O tratamento normalmente tem dois objetivos: matar o fungo e obter a cura clínica, ou seja, conseguir que a unha volte ao seu estado normal e que deixe de ter a aparência doente.

Os fungos que causam micoses nas unhas dos pés geralmente são diferentes dos que causam micoses nas unhas das mãos.  Nas mãos, a micose está relacionada normalmente ao manuseio de água, sabão e produtos químicos de limpeza, que causam fissuras nas unhas e permitem a invasão pelos fungos. Já nos pés, o principal fator de risco é o contato com ambientes contaminados (sapatos, pisos, solo). Os fungos permanecem viáveis no ambiente,  em média, por até um ano.

As infecções de unha causadas por Candida não são contagiosas de uma pessoa para outra, são fungos comuns que encontram um ambiente propício. Já as micoses causadas por dermatófitos podem contaminar indiretamente outras pessoas. Estes fungos sobrevivem no esmalte, na lixa de unhas, na toalha, no sapato. Ao lavar a roupa, você vai ter um fungo macio e cheiroso, mas vivo. Se você usa a máquina de lavar, o fungo fica lá e pode ser transmitido para os outros familiares. O que é preciso fazer é passar bem a toalha. Somente a alta temperatura do ferro é capaz de matar o fungo.

Outra dica para evitar a transmissão é não usar o mesmo calçado todos os dias, deixando-o ao sol de vez em quando. Quanto mais seco, menor é o crescimento fúngico dentro dele. Além disso, é aconselhável borrifar desinfetante (Lysoform) dentro dos sapatos com frequência. Usar luvas também auxilia a preservar as mãos de lesões e fissuras durante o serviço de limpeza, assim como enxugar sempre os pés.

Os fungos estão presentes em diversos ambientes e as unhas são um local favorável para o seu crescimento. Devemos observar sempre. Se aparecer algum tipo de lesão, quanto mais rápido identificarmos o fungo presente, melhor será o tratamento.  E, claro, evitar cutucar o local. Cada vez que você introduz um instrumento por baixo da unha, você está abrindo mais portas de entrada para o fungo.

 

                Hyllo Baeta

Coordenador de Microbiologia

Laboratório Geraldo Lustosa