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Febre Amarela ameaça ressurgir em Minas Gerais

Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) de janeiro de 2017 mostram que em Minas Gerais há 23 casos suspeitos de febre hemorrágica aguda notificados. Destes, 16 foram confirmados como febre amarela. Os outros continuam em investigação. Foram registradas 14 mortes com suspeita da doença, ainda pendentes de resultados de exames. Cerca de 15 municípios das regiões de Teófilo Otoni, Coronel Fabriciano, Manhumirim e Governador Valadares estão em alerta devido a esses casos. A prevenção mais eficaz é a vacinação, a qual tem validade de 10 anos.

A Febre Amarela é uma doença infecciosa causada por um tipo de vírus chamado flavivírus, cujo reservatório natural são os primatas não-humanos que habitam as florestas tropicais. Existem dois tipos de febre amarela: a silvestre, transmitida pela picada do mosquito Haemagogus , e a urbana transmitida pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. O vírus e a evolução da doença são absolutamente iguais.

Em sua forma leve, a Febre Amarela é uma infecção autolimitada caracterizada pelo início súbito de febre (de até 40ºC) e cefaléia. A febre alta pode se acompanhar de calafrios, cefaléia intensa, mialgias, dor lombossacra, anorexia, náusea, vômitos e tontura. O paciente se mostra agudamente doente, com uma bradicardia desproporcional à febre (Sinal de Faget).

A maior parte dos pacientes se recupera, mas em cerca de 15% dos infectados ocorrem formas graves, recrudescentes, dentro de 48 horas após o período virêmico, com dor epigástrica, icterícia, insuficiência renal e labilidade cardiovascular. Pode se manifestar uma diátese hemorrágica (hematêmese, melena, metrorragia, hematúria, petéquias, equimoses, epistaxe, gengivorragia e sangramento em locais de punção. Apesar da sensibilidade ‘a palpação da região epigástrica o aumento do fígado não é notável.

As anormalidades laboratoriais mais frequentes são:

- Leucopenia na primeira semana;

- Leucocitose na segunda semana,

- Prolongamento de TP e TTPa, plaquetopenia, produtos de degradação de fibrina,

- Hiperbilirrubinemia, aumento das transaminases (até dois meses depois)

Requisitar ao laboratório pelo menos Hemograma, plaquetas, TP, TTPa, Bilirrubinas Total e Frações, TGO/TGP. É importante pensar nos diagnósticos diferenciais com arboviroses, especialmente a Dengue, e com a malária.

O diagnóstico presuntivo da Febre Amarela é baseado, principalmente, na história clínica, história vacinal e nos dados epidemiológicos. O diagnóstico laboratorial específico costuma ser restrito a laboratórios da rede de Saúde Pública – LACENs. Em Minas Gerais, FUNED. As metodologias mais usuais são a sorologia para IgM e IgG. Cuidado, os níveis de IgM pós-vacinais podem persistir por muitos anos e pode haver reações cruzadas com Dengue. Resultados sorológicos de triagem devem ser seguidos por testes mais específicos (tais como o  Teste de Redução da Neutralização em Placa). Eventualmente o RNA do  vírus pode ser encontrado no sangue, por RT-PCR, desde que as amostras sejam coletadas bem no início da doença (primeiros três dias).

Em casos fatais, pode ser indicado recorrer a métodos adicionais: Amplificação de ácidos nucléicos (NAT), histopatologia com imuno-histoquímica, cultura de vírus em material de biópsia ou de autópsia.

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